Chopp e Cerveja: Você sabe a diferença?

Por 24 de fevereiro de 2016 Curiosidades Comentar!
serviço chopp

Laia Solanellas [CC BY 2.0], via Wikimedia Commons

“Um CHOPES e dois pastel” ou “Um CHOPPS e dois pastel”? Qual o correto? Para o paulistano tanto faz já que concordância nunca foi o nosso forte e a legislação permite qualquer uma das duas grafias: “chopp” e “chope”.

Esse termo de raízes alemãs começou a ser usado por aqui muito provavelmente por imigrantes germânicos para designar volume, pois Schoppen é uma unidade de medida na Alemanha que equivale a ½ litro. Então, em vez de “um copo de cerveja”, as pessoas simplesmente encostavam no balcão e pediam “um chope”, assim como acontece com o Pint, que é uma unidade inglesa de volume.  

Ao longo dos anos, porém, o chopp acabou perdendo essa relação com a quantidade de bebida no copo e passou a representar a forma como a cerveja é servida.

Diferenças reais e legais

A legislação brasileira, por sua vez, nos dá uma visão diferente, ela distingue o chopp da cerveja pela pasteurização – processo que objetiva garantir a estabilidade biológica. De acordo com a lei o chopp é uma cerveja não pasteurizada, como prevê o decreto Nº 6.871 que regulamenta a classificação de bebidas.

Art. 37.  III – a cerveja deverá ser estabilizada biologicamente por processo físico apropriado, podendo ser denominada de Chope ou Chopp a cerveja não submetida a processo de pasteurização para o envase;

O grande porém é que sempre que usamos o termo “chopp” nos referimos à cerveja servida na chopeira, sem nem pensar se a bebida passou pelo processo de pasteurização ou não. Essa forma servir a bebida é conhecida em outros países como Draught beer, Tap beer, Bière à la pression, Fassbier etc, que nada mais é do que uma indicação de que a cerveja é servida diretamente de um barril, sem que seja engarrafada ou enlatada.

Um pouco confuso, mas deu pra entender? O termo era relacionado à quantidade de cerveja servida, com o temos passou a ser usado para indicar a forma que ela é servida, enquanto a legislação propõe uma distinção quanto a pasteurização ou não.

Espera aí! Como é que a AMBEV vende o “Brahma chopp” enlatada e ainda por cima pasteurizado? Pode isso?

A Brahma chopp

cerveja brahma lata

Poder… poder mesmo, não poderia, mas pode. Vamos lá!

Em 1934 a cervejaria Brahma começou a vender o seu já famoso chopp de barril em uma versão engarrafada e o batizou de Brahma chopp. Acontece que só em 1973 a lei veio distinguir o chopp da cerveja pelo processo de pasteurização, mas a essa altura “Brahma chopp” já era uma marca consolidada e com registro do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial). Para evitar que fosse impedida de usar a expressão “chopp” em sua cerveja, a Ambev entrou com um processo judicial e conseguiu manter o mesmo nome.

Passando a régua

No final das contas é tudo uma questão de propaganda, pois existem cervejas não pasteurizadas que são chamadas de “cervejas vivas” em vez de chopp – como a faz a gaúcha Coruja– e certamente muitas cervejarias que fazem a pasteurização do seu barril e ainda assim o chamam de chopp.

Um economista disse certa vez que ”se só existe no Brasil e não é jabuticaba só pode ser besteira”. Certo ou errado, chopp ou cerveja, o fato é que o termo vem sendo cada vez menos utilizado por nós brasileiros.


Referências

Lançamento Brahma chopp em 1934
Ação AMBEV para utilizar expressão "Chopp"
Origem da palavra chopp em alemão
Decreto regulamentação e classificação de bebidas

Sobre Elifas Ferreira

De formação acadêmica em exatas, teve seu primeiro contato profissional com bebidas atuando como bartender do outro lado do mundo. Ao voltar, se especializou em processos de produção de cervejas, sem perder o entusiasmo pela coquetelaria.

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